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20 Aug 2011 Segunda-feira, 22 de agosto: o retorno da Fumaça à Araraquara, após 6 anos http://j.mp/ooZ94k
31 Jul 2011 Domingo Aéreo em Pirassununga: próximo dia 7/08: http://j.mp/nk05xx http://fb.me/19OQXNOus
14 May 2011 Parabéns à Esquadrilha da Fumaça @fumaca_ja pelo seu 59o. aniversário. O GEAV estará presente nesta festa!!
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17 Feb 2011 Broa Fly-In retorna em 2011 - breve detalhes em nosso site @broafi
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2 Jun 2010 Confira a participação do Grupo Eu Amo Voar na Red Bull Air Race, na Cidade maravilhosa http://bit.ly/biv2iy http://bit.ly/byrjgb
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6 Apr 2010 "O Adeus a um amigo": Homenagem ao Cap. ANDERSON AMARO Fernandes http://bit.ly/bUOgdy
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Dia 1o. de abril de 2008 PDF Print E-mail
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Written by Mateus Rocha   
Saturday, 05 April 2008 19:26
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Dia 01 de abril de 2008, terça-feira, 0h50min., não foi só mais um dia qualquer, mas o dia em que o piloto veterano do 1º GavCa (Primeiro Grupo de Aviação de Caça)  Senta a Púa  Cmte. Fernando Corrêa Rocha havia, de forma convicta, escolhido para partir para sua última missão sem volta para esta Terra. O Cmte. Rocha antes de morrer disse aos familiares: eu não quero morrer em março. Quero morrer em abril, pois é o mês dos pilotos e da aviação de caça!. Ele esperou terminar o mês de março e minutos após o mês de abril começar, ele partiu.

Essas são atitudes de um verdadeiro guerreiro que dias antes disse: não podemos nos apavorar perante a morte. Na campanha da Itália ele pôde ver a morte de perto várias vezes, mas, devido a sua prudência, perícia e capacidade de vôo, conseguia sempre sair ileso da artilharia antiaérea alemã e retornar ao seio do 1º GavCa.

Era um homem muito calmo e tranqüilo. Possuía uma simpatia que envolvia qualquer pessoa que conversasse com ele. Um homem de uma cultura riquíssima, sereno e determinado. Muito entusiasmado com a vida e sempre preocupado em levar adiante o nome dos seus companheiros de batalha na Segunda Guerra, cujas histórias, faziam correr muitas lágrimas cada vez que eram contadas. Um amante incondicional da aviação, cuja evolução e crescimento no Brasil possuem o toque de suas mãos. Um excelente marido e pai. Muito carinhoso, amoroso e apaixonado por sua esposa Lélia, que com bravura e amor cuidou por mais de sessenta anos desse nosso herói. Essa longevidade do Cmte. Rocha vem por ele ter tido uma esposa exemplar, que o respeitava, o amava e o elogiava sempre.

Para mim, ele foi um excelente vizinho, um grande amigo e companheiro inigualável. O homem que me aconselhava, que me motivava e que passava horas e horas contando as histórias e fatos da Guerra, do 1º GavCa, dos outros veteranos e de sua própria vida pessoal. Éramos companheiros de eventos, viagens e cerimônias. O homem que quando parava em frente a uma vaga apertada para pôr o carro, dizia: Mateus, eu taxiava o DC-3, o DC-8, o Constellation e o P-47, e você acha que eu não coloco esse simples carro nessa vaga? Com uma precisão de piloto de caça, ele colocava e carro certinho na vaga sem precisar fazer nenhuma outra manobra sequer. Era um homem polido e sempre que alguém era apresentado a ele, principalmente jovens, ele dizia à pessoa: Qual o seu nome? e a pessoa dizia por exemplo: Diego e ele continuava: me diga então alguém famoso e importante chamado Diego e quando a pessoa não sabia, ali começava uma aula de história, arte e política. O Cmte. Rocha então, citava todos os Diegos pintores, escritores e pessoas de prestígio que ele conhecia com esse mesmo nome.

Esse herói vai deixar saudade. Muita saudade pessoalmente para mim. O legado, o exemplo e a história de vida que ele deixou são eternos. Ele sempre quis que o nome do Senta a Púa fosse levado aos quatro cantos da Terra, não para prestígio dele e dos seus companheiros, não por vaidade, mas para mostrar aos povos em todo o mundo que pessoas podem fazer a diferença. Jovens, como eles na guerra, podem fazer a diferença. Que nós todos podemos lutar pela democracia, pela liberdade, por um país mais justo e por um mundo melhor.

Quando um dia o questionei sobre o porquê de ele ter decidido ir para a guerra, mesmo tendo a opção de ficar em sua casa, seguro e a salvo, ele respondeu: Eu me sentia na responsabilidade de defender minha pátria, de lutar pelo meu país. Era um sentimento de dever e patriotismo muito forte. Eu não poderia ver navios brasileiros sendo atacados e ficar inerte. Eu me sentia realmente na missão de fazer alguma coisa. É o amor verdadeiro à pátria!

Nos seus últimos dias de vida, sua maior preocupação era deixar tudo pronto para sua partida. Fez todos os preparativos. Havia escolhido o lugar aonde ele queria ser sepultado quero ser enterrado perto do Airton Senna, pois ali tem uma arvorezinha, uma boa sombra e é um lugar bonito. Ali as pessoas podem passar e deixar flores! Ele poderia ter escolhido muitas coisas para serem escritas em sua lápide, mas disse ao seu irmão, Renato Rocha, dias antes: Eu quero tudo muito simples. Só quero que escreva na minha lápide meu nome, o dia em que eu nasci, o dia da minha morte e AVIADOR!

O Cmte. Rocha queria ser lembrado por todos como AVIADOR, um homem apaixonado pela aviação. Ele sempre me dizia: Olha Mateus, piloto qualquer um pode ser e temos muitos por aí, mas aviador, aviador de verdade, poucos conseguem ser. Você pode se considerar aviador, pois assim como eu, ama a aviação! Que honra ouvir isso de um herói. Que honra saber um homem que projetou aeroportos, que voou mais de 20.000 horas, que foi piloto de caça na Segunda Grande Guerra e, que quando eu disse: Cmte. Rocha, eu vou trazer a Esquadrilha da Fumaça de volta aos céus de Araraquara e fazer um evento aeronáutico em sua homenagem. Posso?, ele era o homem que poderia, com toda sua experiência ter me dito: você é louco, mas ele olhando pra mim, com 23 anos de idade, disse: Lógico que pode! e quando todo mundo me chamava de louco, ele era o único que realmente acreditava que eu poderia.

Nosso herói foi enterrado com honras militares, cercado pelos familiares e amigos. Eu via nos olhos dele esse anseio cada vez que conversávamos sobre esse assunto e ele sempre dizia: Eu sempre falo para o Brigadeiro Rui Moreira Lima que aqui em São Paulo eu sei quem será o próximo a morrer, pois só tem eu, mas lá no Rio de Janeiro, eles vivem com essa dúvida: quem será o próximo?, ele ria e seus olhos brilhavam de emoção. Como o próprio irmão dele, Renato Rocha, disse no final da cerimônia: Tudo foi exatamente como o ele queria. Era essa cerimônia que ele queria. Foi tudo perfeito, e eu sou testemunha que era desse jeito que o Cmte. Rocha queria partir dessa vida, numa cerimônia cercada pelos amigos civis e militares, com um grito de ADELFI, exatamente como faziam durante a guerra com a perda de um piloto em combate, com a bandeira nacional sobre seu caixão, mostrando o amor que ele tinha pelo nosso país. Ele estava feliz. Morreu com um semblante sereno e expressando muita paz, tendo tido toda a consciência e sentimento de missão cumprida Brasil!

Espero que nós todos possamos dar continuidade ao trabalho que o Cmte. Fernando Corrêa Rocha e seus amigos-veteranos do Senta a Púa bravamente começaram e sempre nos lembrarmos dele como o AVIADOR; como um grande HERÓI; como um homem humilde e carismático.

Na vida não podemos perder o controle, usar emoção demais para fazer as coisas e entrar de cabeça sem pensar nas conseqüências, mas devemos ter prudência e sabedoria para fazermos a escolha certa e na hora certa, pois, se fizermos o contrário nossa vida pode acabar muito rápido! Na guerra, era assim.

Comandante Fernando Corrêa Rocha

Last Updated on Saturday, 19 February 2011 10:28
 

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