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| O homem que fazia chover |
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| Articles | |||
| Written by José Wellington Pinto, Bruno Bambozzi Filho | |||
| Monday, 17 March 2008 14:09 | |||
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There are no translations available. Estávamos na década de 40, pois eu tinha 7 ou 8 anos de idade. A gente morava na Rua Um, próximo à Avenida Mauá. Nosso pai, Chico Pinto, getulista fanático, era ferroviário da EFA e havia vários médicos que atendiam os familiares. Lembro-me com muito carinho do Dr. Renato Guimarães Bastos, que tinha consultório na Avenida Brasil, próximo onde está a Nossa Caixa. Era uma tarde e nossa saudosa mãe, D. Cotinha, precisava fazer consulta e eu fui fazer-lhe companhia. Era uma casa de esquina, com um porão alto, pintada de verde ou amarelo, não me lembro bem. O consultório estava localizado nesse casarão na esquina da Rua Gonçalves Dias com a Avenida Espanha. Ali havia um complexo de aparelhos médicos e científicos, acomodados no porão, onde atendia os clientes. Homem sério, sisudo, de cabeleira esparsa, tez acentuada, vestido de preto. Confesso que fiquei assustado e por algum tempo pensei estar de frente para o Dr. Silvana, cientista maluco que povoava os gibis, tão comuns entre a garotada de então. Jamais poderia imaginar que acabava de conhecer o Dr. Frederico de Marco, que anos depois se tornaria uma das personalidades mais marcantes de nossa cidade e de quem a geração atual talvez nunca tenha ouvido falar. E é por minha geração que volto ao passado e também para que as novas gerações saibam quem foi o cientista Frederico de Marco, hoje nome de rua em nossa cidade. O Dr. Frederico de Marco, conceituado cirurgião ficou famoso por suas pesquisas científicas, de modo especial por ter desenvolvido processo que fazia chover. O saudoso jornalista e escritor araraquarense, João Evangelista Ferraz, biógrafo do cientista, escreveu há muitos anos: “Frederico de Marco, que os jovens ignoram quem tenha sido, e os do seu tempo saudosamente o reverenciam, era um cientista avançado para sua época, e seus longos cabelos, suas extravagâncias e seu “modus vivendi” peculiar fizeram-no o precursor de muitos hábitos e maneiras hoje plenamente aceitos, sem restrições.” “Fazia chover, ao lado de Leopoldo Grazziato, Benedito Brasileiro de Souza, Edmundo Lupo e de outros companheiros admiradores que nele acreditavam, e um dia de sol num passe de mágica, ele o transformava em nubloso lençol de água.” “Frederico, um marco de glória para Araraquara.” Lá no alto, fazia chegar até as nuvens um produto especial e transformava uma manhã de sol, em manhã chuvosa.” A imprensa da época registrava como seus amigos mais chegados, Benedito Brasileiro de Souza, Edmundo Lupo, José Tagliacozi seu barbeiro Farid Nassif, Valdir Garlip, Rômulo Arpentirre, Argeu Argondizo, Tancredo do Amaral Monteiro do Amaral Castro. O jornalista e escritor João Evagelista Ferraz, publicou o livro “O Manda-chuva”. Acredito que o Museu Histórico e Pedagógico “Voluntários da Pátria”, tenha em seu acervo exemplar dessa obra. “No Campo de Aviação de Araraquara, foi inaugurado o marco comemorativo das primeiras experiências feitas pelo cientista Frederico de Marco com as chuvas artificiais. Ao ato estiveram presentes as autoridades locais e cerca de 2.000 pessoas. Falaram no momento o prefeito Dr. Pereira Lima, o vereador Oreste P. Gobo e o tabelião Lazaro Machado. Respondeu agradecendo, o Sr. Frederico de Marco. O marco, que é muito simples, diz em letras de bronze: Perpetua, este marco, como testemunho do povo araraquarense às primeiras experiências de chuva artificial realizadas em 1940 pelo professor doutor Frederico de Marco que, com avião pilotado por Edmundo Lupo, juntamente com Leopoldo Graciato e Benedito Brasileiro de Souza entraram nas nuvens provocando chuva. A fim de firmar a prioridade à posteridade o município de Araraquara colocou no lugar do acontecimento este símbolo histórico.” (“O TEMPO”, São Paulo, 23/08/1952) Neuro-cirurgião, clínico geral, professor universitário, cientista, poliglota, ficou conhecido internacionalmente, tendo visitado vários países da Europa em viagens de caráter científico. Por tudo que pude ler sobre a vida e a obra de Frederico de Marco, era ele um homem simples, que cheguei a ver jogar boccie com maestria no Clube dos Viajantes da Rua Um. Contou-me um amigo, que quando criança, era vizinho da residência do Dr. Frederico de Marco. Quando ele saia de casa pela manhã, em seu belo Cadillac, a garotada corria atrás do veículo, gritando seu nome e ele descia o vidro da porta e jogava moedas para os meninos. Faleceu em 24 de junho de 1960. O consagrado pintor araraquarense Ernesto Lia, retratou Frederico de Marco em creiom, para a posteridade. Texto: José Welington Pinto jwpinto AT pss DOT adv DOT br
Como é bom lembrar um pouco do passado. Dr. Frederico além de médico era um grande cientista, não saía de minha casa. Muito amigo de meu pai, que produzia os equipamentos para seus inventos e ensaios, Uma vez , meu pai começou a ter uma hemorragia no estomago e na época não tinha muito que fazer, foi chamado o Dr. Frederico que veio prontamente, e disse: “Vamos resolver isto agora , por que senão mais alguns dias vou perder o amigo.” Disse a minha mãe: “Coloque em uma vasilha grande no fogo, água, pés de galinha, osso da canela de boi etc., vai apurando e tirando a parte de cima”. Era na verdade a geléia de mocotó, dada a meu pai, queem poucos dias estava sem problemas. Veio a falecer a um ano e meio com 95 anos. Quem vive tem historia e quem tem amigos pode contá-las. Relato feito por Bruno Bambozzi Filho
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| Last Updated on Sunday, 17 January 2010 22:11 |





