21 Aug 2011 A Esquadrilha da Fumaça @fumaca_ja retorna à Araraquara, após seis anos. Amanhã, 22/08, a partir de 16h, no aeroporto. http://j.mp/ooZ94k
20 Aug 2011 Segunda-feira, 22 de agosto: o retorno da Fumaça à Araraquara, após 6 anos http://j.mp/ooZ94k
31 Jul 2011 Domingo Aéreo em Pirassununga: próximo dia 7/08: http://j.mp/nk05xx http://fb.me/19OQXNOus
14 May 2011 Parabéns à Esquadrilha da Fumaça @fumaca_ja pelo seu 59o. aniversário. O GEAV estará presente nesta festa!!
17 Feb 2011 Broa Fly-In: Credenciamento de pilotos, convidados, imprensa e patrocinadores/apoio já pode ser feito, em http://www.broafi.com.br
17 Feb 2011 Acompanhe as atualizações da programação do Broa Fly-In (@broafi) no link http://www.broafi.com.br/programacao
17 Feb 2011 Broa Fly-In retorna em 2011 - breve detalhes em nosso site @broafi
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2 Jun 2010 Confira a participação do Grupo Eu Amo Voar na Red Bull Air Race, na Cidade maravilhosa http://bit.ly/biv2iy http://bit.ly/byrjgb
2 Jun 2010 Confira como foi a participação do Grupo Eu Amo Voar na Red Bull Air Race: http://bit.ly/biv2iy
6 Apr 2010 "O Adeus a um amigo": Homenagem ao Cap. ANDERSON AMARO Fernandes http://bit.ly/bUOgdy
8 Mar 2010 Red Bull Air Race: 3a. etapa este ano no Rio de Janeiro, dias 8 e 9 de maio! http://bit.ly/9Pd8ML O GEAV estará lá!
4 Feb 2010 Grupo Eu Amo Voar | Governo brasileiro opta por Rafale: http://bit.ly/aaZyQ1
15 Jan 2010 O Grupo Eu Amo Voar agora também está presente no Facebook, a rede social que mais cresce no Brasil. http://bit.ly/7yXKWJ
23 Oct 2009 Parabéns a todos os amigos Aviadores pela data de hoje! Há 103 anos Alberto Santos-Dumont ganhava os ares parisienses a bordo do 14-BIS
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Republic P-47 Thunderbolt PDF Print E-mail
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Written by Rafael Peres   
Monday, 17 March 2008 13:25
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Uma prancheta, um lápis, de repente uma intuição. Assim nascem todos os projetos. Desenhos e formas que a princípio são materializadas, às vezes, até no papel de pão, outras no verso de um impresso e, na falta deste, até mesmo em um lenço de tecido. Traços que brotam no projetista em momentos inesperados, seja sobre pressão ou na descontração. Nesta situação com certeza saem traços com maior prazer, é lógico. Projetos que brotam em uma pescaria, em uma caminhada e, às vezes, em um sonho.

Com certeza não foi diferente com o P-47 Thunderbolt. Projetado pela Republic Aviation Corporation, sendo uma evolução do desenho do P-35 e do XP-43, por Alexander Kartveli, nos idos do ano de 1941. Verdadeira obra de arte esculpida e moldada com muito intelecto e bom senso, com muito lápis, muita borracha, pitadas de esquadros, entre outros instrumentos de cálculos e medidas. Métodos um pouco diferentes de ilustres criadores como Michelangelo e Aleijadinho, mas muito parecidos, ou melhor, derivados de da Vinci, este sim precursor dos engenhos aeronáuticos, todavia, mantendo toda a essência e brilhantismo de todos os inventores, projetistas, artistas, enfim, de todo criador que se empenha para criar um engenho que ajude no progresso da sociedade.

Foram produzidas 15.683 unidades, destas 67 foram disponibilizadas ao 1o Grupo de Aviação de Caça da FAB (Força Aérea Brasileira), o magnífico Senta a Púa, integrante daquele esquadrão estadunidense, atuando com sucesso nos céus italianos no combate às tropas inimigas.

Neste cenário, já que exercício mnemônico só pode ser conferido aos Jambocks, vamos dando asas à imaginação. Vamos compor a paisagem, o horizonte, os cúmulos gorduchos demonstrando sinais de turbulência, as montanhas a perder de vista, aquela colcha de retalhos que se confere ao solo arado e cultivado por diversos tipos de culturas. Exigindo um pouco mais, podemos aos poucos sentir o ar, o vento, ver a esquadrilha amarela, o Jambock B-5, e, infelizmente, a Guerra, Flak! Enormes bolhas negras de fumaça e estilhaços! O Thunderbolt desvia com vigor, debochando da afronta e, em ato contínuo, inicia um mergulho digno de peixes pescadores, à velocidade próxima à do som. Mais Flak! Novamente ignorado, curva estonteante... Nossa que G positivo! A estrutura das asas sustenta modestos 1.528 quilos de massa, ou seja, seu peso vazio, além de armamento e combustível, fazendo o conjunto pesar até 6.623 quilogramas!

Imaginem tudo isso multiplicado pela respectiva força G em que o aparelho foi submetido na manobra. Uma primazia! Atitude recuperada, bomba lançada. Nova ascensão, o mergulho é inevitável. Flak! Passou por perto... alvo na mira, gatilho acionado. Ponto 50 em ação. A lei da ação e reação aplicada aos disparos das oito metralhadoras fazem a aeronave perder velocidade, mas quem perde mais são os tedescos. Menos um depósito de munições disfarçado de estábulo, menos veículos a serviço do ideal nazista. Estão todos, agora, com toda sua lataria e mecânica transpassadas por .50 mm. Última ascensão para dispersão. Perfeito. Missão cumprida! Agora é só retornar para Pisa.

No flare, homem e máquina, por instantes, parecem hesitar em tocar a pista, talvez seja essa uma explicação subjetiva ao efeito solo que surge neste momento único e interminável em que a aeronave flutua de acordo com a teoria, sem Bernoulli, mas com Newton. Pousar é imperativo, o combustível uma hora irá acabar.

Máquina para as oficinas, homem para o acampamento. Naquelas, o ambiente ressoa a martelos e máquinas rebitadeiras. Neste, ouvimos gritos de “Adelfi!”, bem como toda descontração juvenil. De um lado, o descanso edificante para o corpo e mente do Senta a Púa, do outro, o descanso dos P-47, tendo sua robustez lubrificada, concertada e revisada. Tudo cuidadosamente e com muito carinho feito pelos mecânicos, verdadeiros “Anjos da Guarda”, como denomina nos dias de hoje o respeitável Esquadrão de Demonstração Aérea da FAB, a querida Esquadrilha da Fumaça. Anjos que ainda não foram para seus leitos, seguindo pela noite batendo suas asas com toda a presteza para a recuperação dos Jambocks metálicos.

Já diante de mais um amanhecer italiano, encontramos o acampamento banhado por uma luz azul, o céu ainda ostenta algumas estrelas. Os primeiros raios de sol tentam discretamente transpor as montanhas para deixar cor púrpura-alaranjada alguns cúmulos que habitam o firmamento.

Aeronave pronta, pilotos no despertar, é possível ver a fumaça que sobe dos sistemas de calefação, improvisados, mas eficientes dos pilotos. A movimentação aumenta, briefings intermináveis de Nero Moura, transmitindo instruções para mais um bem sucedido dia de missões a serem cumpridas com o sucesso de costume.

Piloto sob a asa, mecânicos dando os últimos retoques. Em instantes, homem e máquina se unirão. Um fenômeno surreal, cheio de energia e emoção, invisível aos olhos, mas sentido pelo coração. Uma união fiel entre piloto e avião, sacramentada pelos laços de afinidade entre a capacidade e a vontade natas do aviador, entre o “desejo” da aeronave em voar, desejo este almejado pelo seu projetista. Um momento sagrado... Como se fosse em um filme, o piloto de caça, já sentado no cockpit, ao mentalizar sua missão, em meio aos procedimentos do check-list, traz à sua mente inconscientemente, na velocidade do pensamento, tudo que já executou por toda sua jovem vida, e tudo que ainda tem de fazer. Tudo se projeta em sua tela mental, conferindo ao aviador mais ânimo e mais vontade de vencer a empreitada a que fora designado.

Já não é mais possível divisar o que é avião e o que é homem. O que se vê é um só ideal patriota e humano, ideal brasileiro e mundial. Um anseio da humanidade de ver um mundo livre dos propósitos alemães e tedescos. Divisamos um ideal de paz, paradoxalmente materializado em equipamento bélico pronto para ter seu motor acionado. Neste momento, os pássaros cessam seus cantos, em respeito ao Thunderbolt, em virtude desta maravilhosa união aludida, bem como aos ideais de trazer a paz de volta à sociedade mundial. O tempo, apesar de não parar, concede a impressão de estar bem mais lento. É o momento! Os calços são retirados, passo embandeirado, mistura rica, acelerador levemente avançado... Magnetos “On”!

Como se fosse uma orquestra, todo esse conjunto homem-máquina inicia sua música, sua sinfonia. Um estampido grave, digno de surdos: A primeira explosão nos cilindros, constada pela fumaça negra que brota pelos escapamentos.

Com o aumento das rotações, o motor soa a trombones enérgicos, que, crescentemente, começam a conferir um som de turbilhonamento de ar à hélice que também vai ganhando velocidade, cortando o ar que ao escorrer pelas superfícies aerodinâmicas também ganha um som apitado de instrumentos de sopro. Que regência!

 

“Agora, você sabe, que esse motor, ele começava com a rotação dele, ou melhor, a partida dele, era um energizer, você apertava o energizer ‘nhi, nhi, nhi, nhi...’ e aquele negócio ia assim, parecia que era uma ambulância. Nessa hora, você começa a imaginar uma porção de coisas assim, menos tranqüilizantes, aí você aperta o engage. Aí começam aqueles dois mil e tantos cavalos: Papapapapa... e quando começa a pipocar o avião e tal, você recebe dentro de você uma energia que é causada por aquele motor que está começando a funcionar e tal, você já é outro homem. Aquela intranqüilidade que o energizer provocava que parecia o som de uma ambulância longínqua que vinha se aproximando ‘hhoooooooo...!’. Aquilo te dava uma impressão meio mórbida, mas quando você aperta o engage e começa a rodar aqueles dois mil e tantos cavalos, aí você sentia no sangue, sentia no seu ser a potência do avião, você apertava os seus ombros, se sentia apertado por aqui (pela cintura) e tudo mais. Você se sentia uma parte integrante da máquina, e é exatamente nessa hora em que se o sujeito não se sentir uma parte integrante, mas sim um estranho, ele está roubado (perdido)!”

(palavras do Cmte. Rocha)

 

Aceleração e rotação estabilizadas, é hora do táxi, cumprido com charme e elegância, um gentlement. Alinhado na pista, chegou a hora da corrida. Cavalaria descarregada, que assustador. Lá vão eles para a próxima missão.

Pode parecer difícil imaginar todas estas cenas, com todos os detalhes, mas vale a pena. Trata-se do avião que mais orgulhou a Força Aérea Brasileira, que ajudou nossos nobres pilotos a conquistarem medalhas de honra, que nem mesmo os próprios pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos conquistaram. Aeronave que abreviou a guerra, graças ao mutualismo dos pilotos, a coragem, a vontade, a motivação e a perseverança digna de brasileiros. Aviadores de empenho irmanal junto aos seus colegas de países aliados. Todos estes, durante aqueles anos intermiáveis de guerra, abraçaram a causa com todo o espírito de união entre as nações aliadas. Apoio necessário. Reciprocidade de propósitos entre os aliados que resultou no enfraquecimento das forças inimigas resultando, finalmente, no dia em que a guerra terminou.

Neste dia, prontos novamente para decolagem, com aquele constante ideal de por fim à barbárie nazi-fascista, já enfraquecida àquela época e na iminência de ter seu fim anunciado, seguem os P-47 Jambock, ou Thunderbolt, se assim soar melhor, para mais uma missão.

Aceleração indo a pleno, motor vibrando de alegria, ávido para por novamente todo o conjunto em vôo, encontramos o então 2o Ten. Fernando Correa Rocha, pronto para voar. Toda aquela energia mencionada, sentida apenas pela alma, agora em seu ápice, aguardando a autorização para decolar, aqueles pensamentos mil, pipocando na cabeça, pensamentos de todos os tipos. São tantos que não é possível saber quem está trabalhando mais, o motor, com seus pistões comprimindo a milhares de rotações por minuto, ou o cérebro com seus neurônios, realizando milhões de sinapses pelo mesmo período. Que ansiedade! Por isso que o tempo dá a impressão de estar parado.

Espera interminável. Quando, de repente, chega à fonia dos pilotos um som. Talvez um dos mais lindos que aqueles guerreiros pudessem ouvir. Attention all flghts! Attention all flights! [...] Um som traduzido em mensagem, em melodia ou até mesmo em poesia. Tão esperado e tão belo naquele momento, quanto o barulho locomotivo do motor dos próprios P-47. [...] Do not attack! Do not attack! […] Tão acalentador quanto as vozes de familiares, reiterando, naquele momento. Tão lindo, arrepiante e abençoado quanto a tudo que pôde ser ouvido até aquele dia na vida de cada homem que serviu aos propósitos de derrotar o regime que se pretendia impor ao mundo.

 

Ouviu-se:

Attention all flights! Attention all flights!

Do not attack! Do not attack!

The war is over!

Return to your bases immediately!

Repeat: (e ele repetiu aquelas palavras).

 

A Guerra acabara naquele momento!

Mesmo descendo de seu P-47, vibrando naquele momento junto com Pessoa Ramos, seu ala no vôo em elemento naquele dia, o então 2o Ten. Fernando Corrêa Rocha, bem como todos os pilotos, nunca mais deixaram de ser aquela união homem-máquina, Jambock-P-47.

Desceram trazendo consigo aquela energia latente por toda a vida, catalisada pelo fato de ter sido exercida, de ter sido alimentada pelo vôo. Energia nata, encubada na concepção, no primeiro segundo de vida e manifestada no momento do vôo. Condição sem a qual não poderiam ser pilotos deste Esquadrão. Um privilégio exclusivo dos aviadores, não importando a modalidade deste, do aerodesportista ao piloto-de-caça. Energia sem a qual jamais poderiam voar é o que modernamente se denomina Aerococus. Se não nasce com essa lacuna para ser preenchida, no mínimo pelo sentimento de amor pelo vôo, jamais conseguirá se encaixar em um cockpit, vestir o avião, tornar o aparelho uma extensão da mente e do corpo. Sabemos que, como os puros-sangue, as aeronaves, às vezes, costumam se negar a voar se não se simpatizam com o cavaleiro.

Após milhares de gritos de “Adelfi!”, abraços, gargalhas, é hora de regressar. Já era a hora. Os pilotos do Senta a Púa foram os que mais cumpriram missões. Seus amigos do 350th Squadron, após cumprirem poucas missões eram mandados de volta aos Estados Unidos, enquanto nossos pilotos... continuavam sentando a púa. Mas chegou a vez. Todos foram mobilizados a retornarem à suas pátrias. Ases e P-47, a maioria daqueles de navios e estes voando, é claro.

Mesmo possuindo engenho, projeto e nacionalidade estadunidense, a versão P-47 Jambock foi naturalizada por nossos pilotos. sem dúvida Tupiniquim! Tudo graças à adaptação pelos pilotos do grupo, assim como pela admiração e respeito conferido até hoje por pilotos entusiastas da aviação brasileira.

Os anos foram se passando, ainda bem! P-47 sendo substituídos por jatos em todas as forças armadas. Na FAB pelos Gloster Meteor. Porém, ao contrário do que se viu nos EUA, todos os P-47 foram abandonados. Aeronaves sempre ávidas por voar, para se unirem novamente ao piloto, fadadas à condição de sucata. Uma pena! Muitos exemplares não é sabido nem o local do descarte, estão perdidos, outros estão guardados precariamente em museus, que por mais que se esforcem não conseguem conservar as aeronaves ante ao descaso dos governantes, e não do Governo, pois a essência deste se substância nos ideais pétreos de proporcionar ao povo, em suma, condições para o bem estar, conforme prevê programaticamente nossa Constituição Federal.

Descaso daqueles por não adotarem políticas de incentivo à memória de nossas forças armadas, da memória de um avião que colaborou por elevar o Brasil à posição de destaque junto às relações exteriores, especialmente junto à Organização das Nações Unidas. Somo hoje muito influentes em matéria de política internacional, somos responsáveis pelo Haiti, país desamparado e sem um líder. Sempre foram nossos Presidentes da República que discursaram em primeiro lugar abrindo cada Assembléia Geral da ONU, em New York, e ainda é assim que se procede. Uma solenidade que envolve todos os chefes de Estado das potências, uma assembléia magna! Ah, isso não é em vão. É reflexo de nosso prestígio quando a Força Expedicionária Brasileira, a FEB, o Esquadrão de Observação, o 1o ELO, e o Senta a Pua, conquistaram os olhos do mundo diante de seus brilhantes resultados junto às tropas aliadas.

O termo descaso pode soar bastante pejorativo, e é mesmo. Possuímos caças de interceptação na ativa dignos de antiquários, remontam aos idos de 1970. Aeronaves usadas para transporte de tropas com mais de 30 anos! Bases Aéreas desprovidas de aparelhos modernos para segurança e proteção ao vôo. Controles de vôos ainda feitos de maneira convencional, sem radar! Apenas o Sivam destoa deste quadro alarmante. Existem funcionários da Administração, nas três esferas, que tentam reverter caos, mas esbarram sempre no termo “não há orçamento”. Mas o que surpreende é o fato de haver também aqueles que não se empenham, de propósito, por achar que não é um assunto interessante à população.

Isto é unânime a todos os setores da sociedade civil. São hospitais falindo, ensino às crianças e aos jovens hipossuficiente. É a miséria nas ruas, contrastando com a riqueza do narcotráfico. Um orçamento que misteriosamente se torna insuficiente. Aí já não há “descaso”, pode ser encarado no Código Penal e na Lei de Responsabilidade Fiscal como “algo mais...” Dinheiro gasto de forma irresponsável, e pior, às vezes, encaminhado a paraísos fiscais, para os números das contas dos algozes de nosso povo. Mas pelo visto, ultimamente as coisas estão mudando.

A aviação aguarda, urgentemente, também por mudanças. A ANAC, Agência Nacional da Aviação Civil, substituirá o Departamento de Aviação Civil, com a mesma competência e poderes que hoje são conferidos pelo Ministério da Defesa a este órgão. Mas a data para sua criação e início de sua administração ainda é indeterminada.

Corajosas são nossas companhias aéreas, deveriam voar com o P-47 para agüentar as turbulências. Como conseguem manter seus vôos, operando com taxas de ocupação muitas vezes abaixo de índices rentáveis, suportando impostos titânicos e combustíveis a preços que fogem da realidade, se comparados com países como os EUA e membros da Comunidade Européia, em que os tributos cobrados, bem como o valor do combustível, tornam a aviação uma atividade econômica bastante interessante aos olhos de investidores que estejam dispostos a comprar ações, fazer parcerias, se disporem a patrocinar atividades aéreas? Como conseguem sobreviver às constantes crises, altas repentinas do dólar, às incertezas do mercado? Agora mesmo vemos uma recuperação fantástica, mas esperamos que não ocorra outro “efeito sanfona”, ou seja, toda expansão seguida de forte retração.

Que via crucis levou ao calvário Panair, Cruzeiro, Transbrasil, Vasp entre outras. Temos a Riograndense, esforçando-se para não sucumbir. É triste.

Vivemos em um país em que eventos aeronáuticos são realizados com um orçamento vil, onde patrocinador é um bicho bom de corrida. Somos a segunda maior frota de aviões do mundo! Nossa cultura aeronáutica deveria ser maior, só não é devido a estas dificuldades. Tem muita gente que ama aviação, mas nunca voou em um jato. As passagens ainda são muito caras. Uma injustiça com um país que tem como patrono da aviação o ilustre Santos = Dumont.

Como é possível a Embraer fazer as gigantes Boeing e Airbus torcerem o nariz, fazer trocas constantes no posto de 3o lugar com a Bombardier no quesito maior fabricante de aeronaves do mundo, vender e entregar mais de 900 aeronaves ERJ em todo o globo, mas não conseguir fazê-lo aqui! Os impostos inviabilizam a transação, fica mais barato importar...

Mas, mesmo diante de todos esses espinhos, encontramos flores belas e perfumadas. Vive neste terreno um povo insistente, feliz e de bom coração. Um povo que não desanima, sempre solícito e pronto para ajudar.

Brasileiro, que povo interessante, quem nunca reparou em alguém pedindo informações na rua. Sempre aparece mais de uma pessoa para ajudar nas explicações de quantos quarteirões deve-se percorrer, virar à esquerda e assim sucessivamente. No final, às vezes, não sabemos em qual informação devemos seguir. A aviação ainda vive aqui pois somos teimosos, somos como vegetação de cerrado, somos torcidos, temos a casca grossa de tanto sol que tomamos, mas sempre damos flores dignas dos ipês.

Somos inquebráveis. Eis aí a semelhança inexorável que firma a empatia do P-47 com o brasileiro. Podemos comparar todos esses obstáculos como Flaks e nossa vontade de vencer digna da estrutura de Thunderbolt, ah podemos sim...!

Prova disto é a intenção de grupos que promovem a aviação. Temos o pessoal da Expo Aero Brazil, do Broa Fly-In, ABAAC, da AFA Pirassununga, da BASC, do MUSAL e claro o “Eu amo Voar” Team.

Encontramos atitudes brilhantes como a do Museu da TAM em São Carlos, que com brilhantismo restaura o P-47 Jambock, ou Thunderbolt. Um aparelho voado por nossos avestruzes na Itália, que enfrentou muita artilharia anti-aérea alemã, voado, inclusive, pelo nosso Cmte. Rocha e, agora, renascendo como uma Fênix, voltará a fazer pássaros se calarem e o tempo mais uma vez tentar parar! Que exemplo. Imaginem se esta aeronave for autorizada a voar mais uma vez. Cruzando o céu de Araraquara, deixando um rastro de gasolina queimada, fazendo ficar ativo, com seu motor sinfônico, o aerococus encubado em muitos jovens. Imaginem esta aeronave na fonia. “Araraquara, aqui é papa 47, aproximando-se pelo setor eco”. Imaginem ainda esta aeronave tomando como referência o centro da cidade, precisamente o relógio imponente da antiga fábrica Lupo, e dando um rasante sobre o centro de nossa cidade, fazendo aquele relógio quase parar, balançar suas asas ao passar sobre a avenida Feijó, bem no través da casa do Cmte. Rocha, que felicidade a dele! Será emocionante, haja lenços para conter tamanha emoção de tantos que adoram esta aeronave e torcem para que ela condecore o céu da Morada do Sol.

A torcida fica por conta da capacidade dos técnicos do Museu. Contamos agora com aquele ideal dos mecânicos em Tarquínia e Pisa sendo novamente inspirado nos mecânicos em São Carlos. Um esforço que dará felicidade, aonde estiver, àqueles mecânicos bem como aos construtores e projetistas deste pássaro que está renascendo naquele hangar. Novamente a sinfonia será regida. O P-47 rugirá de alegria. Novamente o Brasil terá seus Jambocks queimando muita gasolina, jogando pingos de óleo no pára-brisa e lágrimas dos olhos. Só isto para recompensar tal empreitada!

Como devem estar ansiosos os membros do Senta a Púa. Uma vontade imensurável de ouvir novamente os 16 cilindros dispostos radialmente retumbarem. A expectativa é grande, tão grande quanto àqueles momentos de espera para decolagem, tendo bombas de 500 libras sob as asas e uma missão a ser cumprida, além de muito Flak a ser desviado.

Expectativa maior a do Cmte. Rocha, já que, como mencionado, voou nesta aeronave e tem como separação poucos quilômetros entre sua casa e o hangar da TAM. Quilômetros que torcemos para que sejam diminuídos em poucos metros quando esta Fênix Jamboquiana cruzar os céus sobre sua casa, fazendo aquele relógio mencionado curvar-se, pois é bastante elevado para que nosso P-47 passe e para que tal momento fique definitivamente na memória de todos.

Vamos sentar a pua neste dia, será o dia da aviação de caça, além do 22 de abril, para todos os brasileiros que amam de paixão nossa pátria e nossa aviação.

Last Updated on Sunday, 17 January 2010 22:09
 

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